Da crise pastoral ao ministério global
No final da década de 1950, o jovem pastor D. James Kennedy assumiu um projeto missionário em Fort Lauderdale, na Flórida. Em poucos meses, a congregação encolheu de cerca de quarenta e cinco para apenas dezessete membros, e Kennedy confessaria que não tinha confiança ou habilidade para abordar pessoas face a face. Desanimado e buscando orientação, ele aceitou o convite para pregar em Decatur, Geórgia. Ali, acompanhando o pastor local em visitas domiciliares, testemunhou cinquenta e quatro pessoas entregando suas vidas a Cristo em dez dias. Essa experiência o transformou: Kennedy compreendeu que o evangelismo eficaz acontecia na vida real e precisava ser aprendido no campo.
De volta à Flórida, Kennedy tentou por diversas vezes treinar toda a igreja por meio de aulas teóricas de testemunho. O resultado foi decepcionante; mesmo após 6, 12 ou 15 lições, ninguém evangelizava. Ele percebeu que havia um “elo perdido”: assim como ele aprendera observando alguém mais experiente, seus membros precisavam acompanhar um evangelista em ação. Em 1962, passou a levar pequenos grupos em visitas domiciliares; observavam, participavam e, por fim, lideravam a explicação do Evangelho. A estratégia de Treinamento Prático (On‑the‑Job Training) estava nascendo, e a ideia de multiplicação espiritual substituía a simples adição de novos convertidos.
O sucesso do treinamento prático levou ao crescimento rápido da Igreja Presbiteriana Coral Ridge. Em 1967, foi realizada a primeira clínica de líderes para pastores de outras igrejas. O interesse foi tão grande que, em 1970, a participação saltou para 350 pessoas, obrigando a recusar outras 1.500 por falta de espaço. Para garantir a qualidade e a fidelidade do método, o ministério estabeleceu um processo de credenciamento e, diante da ampla aceitação, criou a organização Evangelism Explosion International como entidade interdenominacional e internacional.
A partir da década de 1970, o Evangelismo Explosivo começou a se espalhar pelo mundo. Clínicas foram realizadas na Europa, África, Austrália e Ásia, e milhares de igrejas foram treinadas. Em 1988, com o ministério presente em 66 nações, fixou-se a meta audaciosa de alcançar todos os países. Em 1996, essa meta foi atingida: o E.E. entrou na Coreia do Norte e se tornou o primeiro ministério cristão presente em todos os países do mundo. Estima-se que já em 1997 cerca de 100.000 igrejas em 211 nações treinem seus leigos utilizando os princípios deste ministério.
O Evangelismo Explosivo permanece, até hoje, um ministério baseado na igreja local, adaptado culturalmente e centrado na multiplicação de discípulos. Ao longo das décadas, ajustou-se para enfatizar o evangelismo relacional e o discipulado contínuo, reconhecendo que colher um fruto é importante, mas plantar uma árvore frutífera gera uma colheita multiplicada. Atualmente, continua equipando cristãos de todas as idades para compartilhar a fé com clareza, amor e naturalidade.